CABARET COSMOLÓGICO

VERA MANTERO & PEDRO PINTO [Portugal]

Ficha artística


Direcção/arranjos: Pedro Pinto
Interpretação: Vera Mantero (voz), Pedro Pinto (guitarra)
Produção: O Rumo do Fumo

Sinopse

Neste cabaret, soberbamente “cosmológico”,
escutam-se poemas.
Musicados,
quase todos cantados,
são todos sobre quase-tudo.
Pequenas odes aos mistérios e problemas
de estarmos
aqui,
hoje, na Terra, neste Universo:
aos amores e suas dores,
aos finais e seus começos,
às harmonias do acaso, suas raras frequências,
às envolventes ausências e demais ambivalências
humanamente essenciais.
Uma série de p(r)o(bl)emas existenciais,
em suma,
todos eles sobre lugares
de outros lugares,
todos falando de alguma
forma de nós,
cercada de estrelas
no meio da bruma.
Este cabaret nasceu de um convite feito pela Madalena Victorino à Vera Mantero e
a mim quando, em Março de 2023 – quinze anos depois do nosso último concerto
– subimos ao palco para homenagear Gil Mendo. Este cabaret é, portanto, fruto de
um perpétuo reencontro com o ele e por ele. E é também o lugar de um
maravilhoso recomeço, por ele inspirado, a ele dedicado. Que a luz do Gil nos
aqueça, que o seu amor nos continue a guiar.
Pedro Pinto, Junho de 2023

 

Vera Mantero
Vera Mantero estudou dança clássica com Anna Mascolo e integrou o Ballet
Gulbenkian entre 1984 e 1989. Tornou-se um dos nomes centrais da Nova Dança Portuguesa, tendo iniciado a sua carreira coreográfica em 1987 e mostrado o seu trabalho por toda a Europa, Argentina, Uruguai, Brasil, Chile, Canadá, Coreia do Sul, EUA e Singapura. Desde 2000 dedica-se também ao trabalho de voz, cantando repertório de vários autores e co-criando projectos de música experimental. Em 1999 a Culturgest organizou uma retrospectiva do seu trabalho até à data, intitulada “Mês de Março, Mês de Vera”. Representou Portugal na 26a Bienal de São Paulo 2004, com Comer o coração, criado em parceria com Rui Chafes. Em 2002 foi-lhe atribuído o Prémio Almada (IPAE/Ministério da Cultura) e em 2009 o Prémio Gulbenkian Arte pela sua carreira como criadora e intérprete.

Pedro Pinto
Pedro Pinto nasceu em Lisboa a 15 de Outubro de 1977. Trabalha há mais de dez anos como investigador em estudos de ciência e tecnologia, com foco em questões sobre sexualidade, género e políticas do corpo. Nas décadas de 1990 e 2000 dedicou-se à dança contemporânea e à música: foi co-fundador da associação Bomba Suicida; trabalhou – enquanto músico, performer, e/ou na co-criação de peças coreográficas – com Tânia Carvalho, Vera Mantero, Margarida Mestre, Francisco Camacho, Tiago Guedes, entre outros/as. Foi também produtor e DJ de techno, agenciado entre 2001 e 2006 pela Pulsar – colectivo decisivo na difusão de música electrónica em Portugal nesse período. O único disco que assinou (sob o nome de Body Combat, em parceria com Nuno Chainho) foi lançado em 2003 pela Max Ernst, editora de Thomas Brinkmann. Após a morte de Gil Mendo, seu companheiro de vida, reaproximou-se do universo das artes performativas, estando actualmente envolvido em projectos criativos, ao mesmo tempo que leva a cabo uma pesquisa historiográfica sobre dança independente no contexto português.